segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

quando me tocas acontecem pequenas explosões tremores de terra finíssimos dentro de mim


acredita não exagero quando digo que tu és linda e mereces alguém com a racional urgência de te dizer: és linda

todos os dias te dizer és linda as horas todas

e não exagero acredita e quando digo que és linda quero dizer és a mais linda: a manhã primeira e mais pura: a cereja que anuncia às andorinhas a primavera: a musa de todos os poetas de todos os tempos e és Constantinopla e Paris e todas as luas de Júpiter mais os anéis de Saturno e és Rainha e és de carne e osso e eu fico feliz que sejas de carne e osso e que tenhas olhado para mim pobre mortal tu que és verso e és poema e és mais que poema és o poema

por isso quero que saibas que quando olho para ti vejo-te, e também ao que insistes em guardar e é lindíssimo e o meu sabor preferido será sempre o dos teus lábios quando acabas de os molhar vejo-te e não preciso de te dizer que as estrelas só são estrelas no teu olhar e que não há mais eternidade que um instante dos teus olhos dos teus lábios do teu cheiro ou memória quente do teu cheiro e do cheiro que os teus lábios deixam nos meus 

e sim quero dar-te romance inventar dias de frio só para poder acordar contigo, acordar devagar,  ver-te acordar levar-te o pequeno-almoço à cama rir contigo enquanto te pinto a cara de nutella que me obrigas a lamber e lambo e fazer-te rolar na cama enquanto tentas escapar sem querer realmente escapar dos meus braços das minhas mãos dos meus dedos que te agarram e sentir todas as coisas entrarem num silêncio lentíssimo menos o bater do teu coração e beijar-te e inventar dias de chuva para eu e tu no sofá e uma manta eu e tu e uma manta enrolados e a preguiça a subir por nós e um certo encantamento ou magia com a Beth Gibbons a sussurrar Roads só para nós

e beber-te até nos instantes mais breves estar contigo sempre como se fosse a última vez com a magia da primeira

e mais romance e loucura e as tuas fantasias que só eu conheço porque são minhas e jantares a meia luz velas e inventar a chuva sempre que queiras dançar e a banheira pétalas velas poemas e os livros que escreverei no teu corpo de terra quente água estrela pura constelação flor nascida da erupção de um vulcão  que quando me tocas acontecem pequenas explosões tremores de terra finíssimos dentro de mim que o teu cheiro na minha almofada é uma noite de especiarias a inclinar-se sobre o dia para me receber e o teu beijo faz amanhecer em mim todas as estações até as que já não existem fora das ilhas de Neruda

mas também quero que quando olhes para mim vejas que eu também estou aqui para ser o teu ombro o teu ninho a tua casa terra firme o mar todo para as tuas lágrimas

e sei que vou ter de trabalhar para te conquistar mas o mais importante de tudo tu já sabes: saberei sempre esperar-te

e ainda que fique sozinho não estarei verdadeiramente sozinho,
estarei a esperar-te

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