segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

não tenho nada para te dizer

a mulher lê o que escreve. é como se não tivesse sido ela. depois de escrever, esquece sempre. escreve na terceira pessoa do singular, como se de outra se tratasse. sempre lhe pareceu não ser possível que seja ela a ter vivido a vida que teve, que tem, por isso, escreve como se fosse outra. como se visse de fora. assim, não há espanto. nos outros tudo é possível. 
há dias apeteceu-lhe escrever 'conheço o carlos há cerca de uma semana, não sei como entrei neste filme, nesta história que não é minha. procurou-me para chorar no meu ombro o seu amor rejeitado por outra mulher, e ficou. e quer ficar. ele parece ser um bom homem, um bom ser humano, um a ave à procura de um ninho. eu não sei o que faço aqui, esta vida não é a minha, e no entanto, não consigo sair, como um insecto caído na teia de uma aranha.'

Ana

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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Isto não é uma carta de amor

Um dia serei capaz de vos desejar, aos dois, as maiores felicidades. Hoje não. Ainda não. Hoje tenho este peso visceral de sete anos da minha vida que não voltam atrás. Uma sensação que me corrói. Terá, apesar de tudo, valido a pena? Há um pequeno lugar secreto no fundo do meu coração que me diz que sim. Mas há todo um corpo e alma que me doem tanto, que não sei dizer. Não tenho respostas. Toda eu sou porquês. Porquê, em tantos anos nunca saímos da casa da partida?... Porquê, nunca tivemos uma única oportunidade real?... Porquê, nunca mereci que tivesses lutado por mim?... Sabes, era só isso que eu queria. Por uma vez. Mas sobra-me a sensação de tudo ter sido apenas imaginado por mim. Não existem provas ou testemunhas. A nossa história não ficou marcada em lugar algum. Os nossos nomes não estão escritos algures, esculpidos na pedra eterna. Não. Ninguém virá a saber que houve um dia um amor assim. E isso… dói. Sim, eu amei-te. Por inteiro. Pelos teus demónios e pelos teus anjos. Amei-te mesmo quando te odiava. Sei que amarei sempre. Mesmo quando amar outros. Não, já não tenho a esperança de que um dia os astros se alinhem. Isto não é uma carta de amor. Isto não é um exercício literário. Isto é um exorcismo. Isto sou eu totalmente nua. Que se foda. Não levarei para o túmulo nada por dizer ou por sentir. Isto sou eu a despir-me de todas as lágrimas por chorar. De todas a palavras que nunca te disse. De tudo o que ficou por fazer contigo. Isto sou eu a limpar a alma. E digo-te, como no início, uma última vez… Hello my love. Lembras-te?

Marla

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