quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Para Josephine em Milão

Para Josephine em Milão,
enviado de Verona, 13 de Novembro de 1796

Deixei de vos amar e, pelo contrário, odeio-vos. Sois horrenda, muito grosseira, muito estúpida, uma verdadeira Cinderela. Não me escreveis de todo, não amais o vosso marido. Conheceis o prazer que as vossas cartas lhe dão, e não escreveis nem seis linhas, mesmo numa caligrafia descuidada.
O que fazeis o dia todo, Madame? Que assunto importa mais para vos tomar o tempo, impedindo-vos de escrever ao vosso bom amante? Que afeição vos faz reprimir e apartar o amor, o terno e constante amor, que lhe haveis prometido? Quem pode ser este maravilhoso, este novo amante, que absorve todos os vossos momentos, tiraniza os vosso dias, e vos impede de ser solícita para com o vosso marido? Josephine, tem cuidado, uma destas noites as portas vão abrir-se, e eu estarei aí.
Na verdade, estou ansioso, minha boa amie, por não receber notícias tuas; escreve-me depressa quatro páginas, dizendo aquelas coisas ternas que enchem o meu coração de sentimento e prazer.
Espero há muito estreitar-te nos meus braços e fazer chover sobre ti um milhão de beijos tão quentes como o Equador.


Bonaparte

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