quinta-feira, 23 de maio de 2013

Para Martha Blount, 1714

Mui Divina,
É prova de alguma sinceridade para consigo que escrevo enquanto bebendo, e me disponho a falar a verdade; e uma carta depois da meia-noite abunda nesse nobre ingrediente. Que o coração deva abundar em chamas, ao mesmo tempo aquecido pelo vinho e por si: o vinho acorda e exprime as paixões latentes da mente, tal como o verniz faz às cores escondidas num quadro, e mostra-as no seu brilho natural. As minhas boas qualidades estiveram tão congeladas e fechadas numa constituição apagada nas minhas horas sóbrias, que é muito espantoso, agora que estou ébrio, encontrar em mim tanta virtude.
Neste extravasar do meu coração agradeço-lhe as duas cartas com que me brindou em 18 e 24 deste mês. Aquela que começava com «Meu encantador Sr. Pope» era uma maravilha para além de toda a expressão; vós me conquistastes inteiramente por fim, à vossa encantadora irmã. É verdade que não sois bela, para mulher, penso que não: mas este bom humor e esta ternura são para mim um charme irresistível. Essa face é irresistível quando adornada pelos vossos sorrisos, mesmo que não veja a coroação![de Jorge I, em Setembro de 1974]. Suponho que não mostreis esta carta por vaidade, tal como não duvido que a vossa irmã o faça quando lhe escrevo...

Alexander

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