quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

o que vejo, quando tentar esquecer-te é já não querer lembrar

Paro.
não entras pela porta.
e eu paro.

As simples insuspeitas coisas que deixaste assombram-me
se paro
que não saberei nunca se me amaste como eu queria amar-te. Nem preciso mais: o que só tem uma direcção nunca será caminho.

vou contar-te a história que vivemos.
Duas pessoas, uma teimosia com mil destinos que ficaram por saber.
E sinto a saudade de tudo o que quebrei, sinto
sinto a saudade das pessoas que deixei…
Sentirei sempre a saudade.
Mas amor e saudade serão utopias enquanto forem palavras.

E é no teu adeus que começam os meus caminhos!

Regressamos devagar às memórias como quem volta a casa, continuamos a acreditar que a chave dessa porta alguma vez nos pertenceu mas a única coisa que abriu foi passados.
Como posso continuar a olhar para essa porta?
se sempre quis futuro.

Não quis que fosse o fim mas já é tarde. É muito tarde e 
é tarde demais.

Quando penso em nós não penso em querer-te, penso em mudar-te.
Quero esquecer-te! E depois, 
que mal tem quebrar a maldição dos cómodos caminhos que me levam a ti quando me esqueço que já não preciso lembrar-te?

Ontem fizeste-me falta. 
Nunca saberás a falta que me fazias quando precisei que soubesses
nunca conseguirei mudar o que ficou por fazer se já não lembro.

Nem preciso de te esquecer. 
Quero os meus caminhos.
Paro
e não entrarás mais pela porta 
que não voltará a abrir. 

Esquecer afinal não é preciso se já não preciso de lembrar.

Já não temos idade para não sabermos esquecer.
A idade que fomos ficará, sim, mas não é
nem futuro.
Eu não posso ficar, não podemos insistir em portas fechadas.

A chave fica comigo
Para a perder para sempre.

Maria Supertramp

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