quarta-feira, 10 de julho de 2013

as mãos

as mãos. as tuas mãos. as mãos.

são minhas as tuas mãos. são perfeitas.

vou gostar de ver acender-se cada ruga das tuas mãos, porque cada ruga trará um pouco mais de perfeição, um pouco mais de tempo, um pouco mais de nós.

os teu pulsos. o impossível equador. os teus pulsos são meus. o interior dos teus pulsos. os domingos com pássaros no parapeito da janela a anunciar os domingos e a chegada da primavera, as cerejas, as flores. no interior dos teus pulsos que cabem na minha mão fechada as flores, a estação inteira.

o teu nome. esse que repito baixinho. o teu nome. gosto tanto do teu nome. a transparência do teu nome que é perfeito como as tuas mãos. o teu nome de que gosto tanto. por isso o repito tantas vezes, por isso baixinho para que ninguém o roube ou te esqueças de mim. o teu nome que é uma oração delicada um delicado beijo a lembrar a ternura da casa inteira.

o teu sorriso. a forma como se desenha o teu sorriso nas fotografias. nós nas fotografias nós fotografias das viagens que fazemos para lá dos livros para lá do teu sorriso, nós por dentro das músicas que nos descobrem e a minha cabeça nos teus joelhos a sonhar poemas tão bonitos como o sorriso que escondes e se desenha nas fotografias, nas minhas mãos, na pele, dentro de mim. eu parado a olhar para ti, eu parado, eu a olhar para ti e a gostar de ti. eu só parado a gostar de ti. a gostar de ti.

os teus livros. os teus livros que têm cheiro, que quando nos tocam ficamos com o seu cheiro na ponta dos dedos, os teus livros que nos perfumam a ponta dos dedos e a cama e os lábios quando os cheiramos tão de perto. os teus livros que são todo o azul do mar mais o azul do céu mais o azul que se encontra em todas as coisas de que se pode gostar, até nas mais pequeninas: portas azuis: janelas azuis: sonhos azuis de manhãs azuis e céu, muito céu, e horas, muitas as horas, e flores e coisas simples e as coisas simples e belas de que se fazem os corações mais bonitos e a felicidade. os teus livros que são pequenas viagens às cores dos fins de tarde: aos laranjas à transcendência ténue dos amarelos aos risos e às conversas com pessoas que apetecem muito. e por isso os teus livros são também um grande amor, uma esplanada ou alguém de quem se pode gostar muito, ter saudades, apertar contra o peito. alguém que esperamos. porque o delicadamente maravilhoso faz-se esperar.


sei que há um banco virado para o mar. sei que é nesse banco que vou estar.

2 comentários:

  1. Para já, estás publicado a letra de fogo nos nossos corações. Quem te pudesse publicar nas páginas mais lindas dos livros mais lindos... Mereces, mais do que tudo o que mereces, ser lido (e já te leram!) em todos os bancos virados para o mar.

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  2. queres ver a lágrima rolar, essa é que é essa...

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